Realizado no Dia Internacional dos Direitos Humanos, o Prêmio Beijo Livre marcou um momento histórico ao se consolidar como o primeiro prêmio LGBTQIA+ do Distrito Federal. A iniciativa nasceu com o propósito de reconhecer trajetórias, coletivos e instituições que, a partir de diferentes campos de atuação, contribuem de forma concreta para a promoção da dignidade, da diversidade, da inclusão e dos direitos humanos, celebrando tanto pessoas LGBTQIA+ relevantes por suas atuações quanto aliadas e aliados da causa pelos direitos civis da população LGBTQIA+.

Mais do que uma premiação, o Beijo Livre afirma o afeto, a resistência e a liberdade como valores políticos. Ao homenagear pessoas LGBTQIA+ e também aliadas, o prêmio reforça que a construção de uma sociedade democrática depende do reconhecimento das múltiplas potências que atravessam a educação, a saúde, a cultura, a comunicação, o ativismo, a inclusão, o legislativo e a memória coletiva.
Segundo Michel Platini, presidente do Grupo Estruturação e do Centro Brasiliense de Defesa dos Direitos Humanos (CENTRODH), o Prêmio Beijo Livre representa um marco para a história do Distrito Federal. “O Prêmio Beijo Livre é o primeiro prêmio LGBTQIA+ do DF e nasce para reconhecer pessoas LGBTQIA+ que marcaram a história da cidade por suas atuações, mas também para celebrar aliadas e aliados que caminham conosco na defesa dos direitos humanos e civis da nossa população. É sobre memória, afeto, resistência e compromisso público com a dignidade de todas as vidas”, afirmou.
Na categoria Educação, a homenageada foi Silvia Badim, professora associada da Universidade de Brasília e referência nos campos da saúde coletiva, dos direitos humanos, dos estudos de gênero e das dissidências sexuais. Feminista lésbica, sanitarista e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da UnB, Silvia coordena o NEDIG/CEAM e construiu uma trajetória marcada pela formação crítica, pelo compromisso ético e pela promoção de ambientes acadêmicos comprometidos com a pluralidade e a defesa da vida.
A categoria Inclusão reconheceu o trabalho do Instituto Incluir, organização que atua na promoção da acessibilidade, da diversidade e da igualdade de oportunidades. Com projetos que articulam educação, cultura, tecnologia e autonomia, o Instituto se consolidou como referência no fortalecimento dos direitos das pessoas com deficiência, dialogando de forma profunda com a comunidade LGBTQIA+ e contribuindo para a construção de políticas e práticas verdadeiramente inclusivas.
Na categoria História, o prêmio foi entregue a Kiki Klein, mulher trans, militante LGBTQIA+, agente popular de saúde, redutora de danos e produtora de eventos. Referência na história trans do Distrito Federal, Kiki teve papel central em campanhas nacionais, como a histórica “Travesti e Respeito”, além de inspirar gerações por sua atuação baseada no cuidado, na construção de vínculos e na promoção da dignidade.
A categoria Aliada homenageou Paula Ávila, Procuradora-Chefe do Ministério Público do Trabalho no DF e Tocantins, reconhecida pela defesa da diversidade no mundo do trabalho, pelo enfrentamento de práticas discriminatórias e pela promoção de iniciativas de inclusão e empregabilidade, reafirmando o papel das instituições públicas na garantia de ambientes laborais seguros e livres de preconceito.
No campo da Comunicação, o Prêmio Beijo Livre reconheceu Antônio de Castro, jornalista e apresentador da TV Globo Brasília. Com mais de duas décadas de atuação, construiu uma carreira marcada pelo rigor jornalístico, pela responsabilidade social e pela abordagem sensível de temas humanos, ampliando a visibilidade de debates fundamentais para a democracia e o respeito à diversidade no Distrito Federal.
A categoria Cultura foi dedicada a Igor Albuquerque, produtor cultural, DJ e empreendedor responsável por transformar espaços da cidade em territórios de convivência, liberdade e inclusão. Criador de projetos que uniram arte, música e diversidade, Igor ressignificou a cena cultural local ao afirmar a cultura como instrumento de transformação social.
Na área da Saúde, duas trajetórias foram reconhecidas. O médico infectologista Dr. Lino Neves da Silveira foi homenageado por sua atuação humanizada, pelo enfrentamento do estigma e pela ampliação do acesso à prevenção e ao cuidado integral à população LGBTQIA+. Também recebeu o prêmio Pollyanna Mertens Mariath, gestora da Secretaria de Saúde do DF, cujo trabalho fortalece redes de cuidado, amplia o acesso humanizado e promove práticas de equidade no sistema público de saúde.
A categoria Legislativo foi concedida a Wellington Luiz, deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, reconhecido pelo apoio institucional à pauta LGBTQIA+ e pela defesa de políticas públicas voltadas à inclusão, à empregabilidade e à cidadania.
No campo do Ativismo, o prêmio reconheceu a TRAFEM, associação de pessoas trans do DF, pela atuação coletiva na conquista de direitos, na articulação de políticas públicas e no fortalecimento de um transfeminismo decolonial. Também foi homenageado Toni Reis, uma das maiores referências do ativismo LGBTQIA+ no Brasil, fundador do Grupo Dignidade e diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI+, cuja militância histórica contribuiu para avanços significativos nos direitos civis no país.
Encerrando a premiação, a categoria In Memória homenageou Sissy Kelly (1957–2024), travesti pioneira, ativista e fundadora da ANAV Trans DF e Entorno. Sua trajetória, marcada pela resistência à violência institucional, pelo cuidado coletivo e pela luta por envelhecimento digno de travestis e pessoas trans, permanece como legado vivo na história do movimento LGBTQIA+.
O Prêmio Beijo Livre reafirma que celebrar é também um ato político. Ao reconhecer trajetórias individuais e coletivas, o prêmio fortalece a memória, amplia vozes e reafirma que os direitos humanos só se realizam plenamente quando todas as pessoas podem existir, amar e ocupar a cidade com dignidade, respeito e liberdade.
